Um pedaço da Paraíba no Rio
Um pedaço da Paraíba no Rio
Amanda Moura
Paulo Nicolella
Francisco da Silva, de 43 anos, zelador do prédio Portal da Barra, no Jardim Oceânico, saiu há 24 anos da pequena Fagundes, cidade paraibana com cerca de 12 mil habitantes, e veio para o Rio de Janeiro atrás do sonho de grande parte dos nordestinos: fazer a vida no Sudeste. Apesar das dificuldades, não desanimou. E decidiu criar o Projeto Ação Solidária por Amor à Paraíba (PASParaíba), que busca manter os laços dos seus conterrâneos com a região, melhorar a imagem do Nordeste e organizar ações em prol da natureza como o Arrastão Solidário da Limpeza e da Preservação do Meio Ambiente, que ocorreu no fim de abril. O evento, na Praia da Barra, mobilizou 45 voluntários, que recolheram resíduos para serem reciclados.
O GLOBO-Barra: Por que você se mudou para o Rio?
Francisco da Silva: Eu me mudei em 1987, porque na minha cidade não tinha recursos nem para estudar. E quase todo jovem nordestino quer migrar para o Sudeste. Vi amigos tomando esse caminho e resolvi arriscar.
E os seus planos se concretizaram por aqui?
Francisco: Sim. Em 1992, cheguei a voltar para minha terra, devido ao falecimento do meu pai. Quando voltei, fiquei seis meses desempregado. Mas, em 1993, comecei a trabalhar no prédio em que estou até hoje.
E o seu projeto, PasParaíba, como começou?
Francisco: Em 1998, resolvi retomar meus estudos, já que mal sabia ler. Numa aula de geografia, o professor só destacava os pontos negativos do Nordeste. Resolvi que as pessoas conheceriam minha terra através do olhar de quem realmente a conhece, e criei o PasParaíba, em 2005.
E os seus estudos?
Francisco: Terminei o ensino médio em 2007 e fiz cursos livres de turismo cultural e locução. Tenho um programa na rádio comunitária de Rio das Pedras, no qual divulgo a cultura nordestina. E pretendo, um dia, cursar a faculdade de Jornalismo.
Qual foi a primeira ação do seu projeto?
Francisco: Eu tinha um Fusca e com ele coletava lixo reciclável nos condomínios da Barra. Depois, levava para um galpão na Barrinha. Com o dinheiro arrecadado, eu buscava contribuir com as comunidades carentes da região. Até hoje, todo o dinheiro arrecadado com reciclagem é para ajudar comunidades daqui e da minha terra.
E você pretende um dia voltar para a Paraíba?
Francisco: Não. O Rio foi a terra que me acolheu e eu mantenho total vínculo com o meu estado. Acredito que minha missão é manter a minha cultura de origem nesta cidade.
Você chegou a sofrer preconceito em terras cariocas?
Francisco: Sim, infelizmente. Mas este tipo de atitude é de uma parcela minoritária do povo daqui. De qualquer forma, é muito triste ver a palavra "paraíba" sendo usada de maneira pejorativa. Meu trabalho também serve como combate contra este tipo de postura.
Qual o próximo passo do projeto?
Francisco: Pretendemos organizar, em 29 de junho, Dia do Porteiro, um passeio de bicicleta, durante o qual recolheremos resíduos para reciclagem.
E como é o perfil do público que participa dos eventos?
Francisco: É bastante heterogêneo. Meus colegas porteiros e zeladores estão sempre comigo, mas muitos moradores do prédio em que trabalho e também dos arredores se unem à minha causa. Tenho cerca de 40 bravos parceiros.
Fonte: O Globo Barra 05 de maio 2011
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